A Sinceridade Retorna, Em Sua Fúria
(Ao rodapé de cada post, segue-se uma recomendação de música para enquanto ler-se cada post, fique a vontade).
Recentemente, necessitei de mudanças consideráveis na minha rotina, para dispor um pouco da minha forçada vivência, das mascaras e dos meus músculos propositalmente enrijecidos. Custa muito manter as coisas em um padrão, quando você mesmo não tem um, você manipula exatamente tudo, o modo como respira e o modo como sorri. A vida exige um humano desumano.
Este caminho fervoroso me cansou novamente, como é comum, periodicamente. Precisei fingir que não existo, e que a lógica não existe, pois é lógico agir assim, não é aceitável ser você mesmo, é preciso aprender a fingir que está tudo bem. No entanto, como pode acontecer nos quadros mais belos, ás vezes o contorno da lagoa no horizonte é chamativo demais, ás vezes os pássaros estão afinados até demais. Você resiste a manutenção, exige que seja do seu modo porque, nos meios íntimos, é o que se cobra. Você contêm os braços de todos para ser quem você é, no entanto no caminho negro, onde as pedras são pontiagudas, isso não pode ser mostrado, eles falam de quem você é como algo bom, e não os seus demônios, eles são seus... Guarde-os.
Sou pobre de vontade, como me canso de dizer aqui, ainda mais de felicidade, que tão pouco me serviu de algo durante a vida. Necessito do meu quase fim todos os dias, e assim o persigo. Não tenho esperança, não tenho como ter suporte nesse aleijamento, pois não funciono com três pernas, preciso ter uma só, não aceito suporte. Minhas janelas não têm tranco, fecho e nitidez, sou um vidro opaco e coberto de riscos. Me despedi de muito que me fez mal ao passar deste ciclo solar, pessoas, hábitos e pensamentos conflitantes, Assim foi feito também, o oposto. Conheci pessoas sem colar, que dirigem em calçadas e sobem em postes, alimentei meus demônios de modo que eu visse o túnel brilhar, constantemente para mim.
De fato que a vida muda como céus estrelados, e corre como um trem, sendo assim, devo abraçar a vida como é, e assim seguir a vida como sou, hoje, como serei amanhã e nos meus piores dias. Soa lógico, em bases, certamente. No entanto, se me despeço das mascaras a vida não vinga, o tempo encurta-se tão ferozmente que, o palácio que construí cai-se em meus pés, e minha vida simplesmente perde o sentido. Eu preciso mentir, eu preciso errar sozinho e em segredo, afinal, quem colhe o mal e o bem desses erros sou eu.
Permaneço afastado de tudo e todos, como dito no post anterior a este. Preciso disso, e sinto muito pela dor que isso te causa. Não sei na sua cabeça, mas acredito que é melhor um amado longe, do que um amado morto.
O arrependimento segue perigoso no horizonte, sim, mas ele me persegue em todos os horários que não me mascaro, sempre que encaro a realidade. Hoje eu sonharei nos olhos de quem amo, amanhã, devo conquistar, e domingo, dominarei o mundo. Nos meus olhos, domingo estarei morto.
Com muito desgosto e arrependimento,
Murilo.
Trilha sonora recomendada para a leitura:


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