O Que Significa Deus? (Rascunho)
Talvez seja a pergunta mais subjetiva da contemporaneidade: O que é Deus?
A figura sem rosto, mais reconhecida da humanidade, logo depois de Aristóteles, talvez.
Há uma unanimidade que muito dos ateus acabam esquecendo que existe: Gramaticalmente falando, Deus sempre existiu, e sempre vai existir. Tal questionamento é muito mais profundo do que simplesmente crer ou não crer, falamos de um idealismo que nos rodeia, uma manobra que somos incapaz de nós esquivar: pessoas são esquecidas, dia pós dia, mas ideias, não, ideias são mais voláteis do que pessoas, mas ao mesmo tempo, são tão imutáveis quanto pessoas.
Pode soar estranho, dizer que ideias são imutáveis, mas quando digo isso, falo de modo fundamentalista. As ideias sempre existem, mesmo que com caras novas. Planeje qualquer maldade contra alguém, assim que ela se concretizar, dê alguns anos e de repente, ninguém mais se lembra de você. Mas e a sua idéia? Ela morre tão fácil assim? Teus trabalhos, teus males, tuas flores e teus olás.
Deus funciona exatamente assim, só que integralmente. Caso haja o questionamento de minha resposta, quanto a pergunta central: Deus é, ao meu ver, um sudário incontrolável da humanidade, que permeia as faces de todos aqueles que um dia ouseram julgar outro ser humano. Teus olhos só conseguem encarar outro par com carência pois existiu a concepção de algo amável de começo. Deus foi algo muito complexado, e pior ainda, modelado ao maquiavélico. Afinal, muito de ruim se atribui a aquele que produziu o Todo, já que tudo se criou por suas mãos. Mas as façanhas não assinam atestado de responsabilidade, o juízo assina.
Os ideais de Deus nunca foram concebidos para que se entenda o lado ruim de não fazê-lo, e sim entender o porquê se faz. Simples assim. O que há de ruim em Deus, é justamente a atribuição de pecados, más vitórias e designadas perdas (visto que a perda quase sempre se reflete em negativos) a uma figura unidimensional: O criador. Deus é muito mais do que uma existência uni presente, é o ápice da lógica e do emocional humano; uma bússola, ao mesmo tempo que uma régua, que te guia pelas linhas retas que você mesmo concebeu como tais linhas. Deus é um parâmetro, uma contradição e um espelho; mutável a tudo que teus olhos buscam, isto é, a materialização de tudo aquilo que um dia fez parte do seu sono.
No fim, o que eu, como agnóstico ateísta entorpecido defendo, é que, não tenho como provar a existência de Deus como material, e como não há comprovação, me equilíbro pelas linhas de minha própria vida, e as comprovações que ela me proporciona. Não o vejo, não o sinto, não o quero, no entanto não comprovo que não existe, pois então, não sei se existe, mas prefiro acreditar que não existe.
O questionamento, no fim, é muito conveniente. O que é Deus? Ele reflete muito mais de si do que uma reflexão do universo. Tudo que se sabe é que Deus existe idealmente na cabeça de todos, seja como farsa né cabeça do Ateu, ou como medalha na cabeça do crente. O semblante de algo que pode te salvar, te condenar ou te guiar, para sempre, será uma das piores concepções para a mentalidade humana, pois não há nada com mais poder sob nós, do que a incerteza. Morra tentando entender o que se passa, e morrerá como um homem; Morra fingindo que decifrou a vida, e se torne doente.
Muito obrigado pela sua leitura, e que Deus ilumine a sua vida, afogue teus demônios e te sujeite a mudanças, pois estaca que não se move, vira cerca de pasto.
Com carinho,
Murilo.

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