Isto é sobre sinceridade


É sobre mim. Sobre eu e a sinceridade, nossa relação... Nossa má convivência.

É sobre apenas... Uma inconveniência, uma mancha em um espelho. 

Eu me enterrei nas sombras, finalmente. Desfiz de mim, completamente. Quase ninguém escuta sobre mim, por onde ando e como estou. Eu virei realmente, parte de histórias... Histórias de vida, experiências (boas e ruins), convivências básicas.

Desapareci diante do mundo. Não tenho redes sociais há pouco mais de três anos, basicamente. Ninguém me contacta, de ninguém demando interações, e de nada sei sobre todos, e nada sabem sobre mim. Eu erradiquei a minha vida social. Eu vejo quem eu quero, quando eu quero, e lido bem com o egoísmo por trás disso. Não me esforço em descobrir quem são, aqueles que amo profundamente. Há meses que não vejo e não converso com a minha melhor amiga, a quem devo muito mais do que sou capaz de oferecer, e me vem à memória todos os dias, independente da realidade.

A verdade é que, eu falhei como ser humano, para muitos... Inclusive comigo mesmo, desfiz do que para a maioria era essencial, e importante, pois para mim era simplesmente intragável, na maioria do tempo. E durante certos instantes, isso deve soar um tanto intrigante, "Mas se não o faz bem, não há problema". Nós fazemos, a todo momento, coisas que não queremos, que não nos fazem bem ou que derivam apenas da satisfação alheia. Por que isso eu sou incapaz de fazer? Sinceramente, não me dói o suficiente para fazer algo quanto a isso, mas me dói saber que de alguma forma, eu consigo ser importante para essas pessoas.

E eu tenho essas pessoas no meu coração, da maneira mais sincera e genuína que a realidade pode me proporcionar. Guardo profundamente, a minha namorada no meu coração, que apesar da infinita paciência e do nivelado egoísmo, junto ao meu egoísmo, foi capaz de estabelecer uma realidade em conjunto a mim, e uma relação. Até compreender que, provavelmente, ela nunca vai me conhecer de verdade, não vai me ver cru, vulnerável e completamente aberto diante dela, pois eu não fui capaz de nada disso até hoje, com ninguém.

Ou meu irmão, que por estar no mesmo terreno que o meu, jamais me fez uma pergunta desconfortável, ou me colocou na posição de vulnerabilidade, sendo a pessoa que eu sempre vou evitar ser vulnerável por perto. A minha melhor amiga, que por agora, não sei por onde e como anda, mas conhecendo quem ela é, está se virando tão bem quanto nunca, pois até mesmo quando de mim ela precisou cuidar, sozinha, foi capaz de cuidar dela, de mim, e de toda a sua família, e fez isso com louvor. Você realmente é incapaz de sumir da minha vida, pois eu não vou deixar isso acontecer.

O Sam, que apesar do desperdício de sua existência inimaginável de importante, foi capaz de me mostrar, que a realidade pode sim ser uma prisão impossível de se fugir, e por incrível que pareça, existem sim luar e riachos diante dessa prisão, que conseguimos apreciar muito bem. A Débora, que me mostrou a sútil arte da sensibilidade, de você ser verdadeiramente incapaz de não ser quem você é (mesmo tentando, às vezes). 

Ou o Nick, que me proporcionou uma das amizades mais únicas que já tive. Conheci alguém que toca a realidade com os meus dedos, que transborda às lágrimas das quais minha pele está coberta e, principalmente, me proporcionou uma amizade completamente liberta de desconforto, cobrança, etiquetas e barreiras. Caro Nick, eu vivo a MINHA realidade quando convivemos, e caso o tempo seja nosso inimigo, eu te levo para o caixão com toda a minha glória, e paixão, por simplesmente me deixar ser quem sou, e simples assim, fazer o mesmo.

Há muitas outras almas a quem devo muito. Qualquer uma das pessoas que fazem parte da minha diária em transporte público, que não fazem do transporte público, um inferno a mais. O senhor que sempre me acompanha no mesmo ônibus, de segunda a sexta, me cumprimenta, mas não me incomoda, não é irritante quando cedo meu lugar a ele. Ou a pequena moça dos cabelos cacheados, que também vive a minha realidade rodoviária de segunda a sexta, que escuta suas músicas profundamente com os olhos fechados, e o mais encolhida possível no banco do ônibus.

A minha vida continua sendo um completo fracasso aos meus olhos, pelo simples fato de eu ser o único incapaz de lidar com ela. Todos sempre tem algo a dizer sobre mim, algo importante. Mas quando estou dormindo, sou sempre eu quem me acorda, me tirando a sanidade e capacidade de voltar a dormir, ou que é incapaz de sobreviver exatos 20 segundos em silêncio sem sofrer profundamente com os próprios pensamentos.

Eu perdi muita coisa, de fato.
Desisti também de muita coisa, tudo por conta de ser o único e sem exceção, que vive e conhece realmente, a minha realidade, com a minha mente, a minha dolorosa mente.

De fato amo todos vocês a quem resguardei um parágrafo aqui, e se de algum modo, a minha maneira de agir, refletiu o contrário disso, por favor, desconsidere a minha imagem.

Eu nunca fui por fora, o que eu sou capaz de ser por dentro. E por agora, as coisas continuarão a ser assim.


Murilo

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