Improdutividade Enquanto Produtivo, Como é? Pois é, O Cansaço Mental.
Consumido, quase como uma guimba já apagada, e consumida novamente por um morador de rua que a reascendeu por um vislumbre de carburação. A realidade é ondulatória, eu bem sei, a poucos meses estive melhor, e poucos meses antes de mês que estive melhor, estive pior do que o atual, faz parte da realidade, principalmente dos pobres entediados.
A viagem ainda é longa, tento ser o meu melhores ás vezes, mas só ás vezes, na maioria do tempo eu vivo por pura impiedade aos alheios, por exceção de minha namorada, faço esse esforço por ela. A pouco mais de dois anos, escrevi um texto que se perdeu dentre os muitos outros nas minhas anotações, e aparentemente ele reflete mais da minha realidade atual do que no passado, visto que a minha maturidade atual combate a do Murilo que escreveu o texto. Gostaria de utiliza-lo por um instante:
Deitei-me em companhia do silêncio mental, com boas e pertinentes músicas ao fundo, em neutralidade, com exceção da antiga amiga melancolia.
As luzes dos carros na vidraça logo atrás, sombras na parede mesmo com as cortinas devidamente sentidas, um amasso amargo no meio de minha alma se instala como terror em sociedade. Meu âmago se dobrando em cada polegada mais e mais, sádico eu sei, mas ao sacudir uma esfera barulhenta, outros barulhos são oprimidos seguidos de assombrosos alívios.
Compreendo que meu estado, de modo conservador, unilateral e em obscurantismo homogêneo, se repreende e exala um desespero que apenas os pacientes ouvintes do mais confortável entretanto ensurdecedor silêncio irão sentir.
De modo indescritivelmente folhado, há um regime obrigatório metafísico em minha alma, e nada faço além de aceitar.
Devidamente sentido, desde o inicio dos tempos, a amargura me cerca incansavelmente desde épocas onde eu odiava que isso existisse, eu era uma criança, e a sociedade a minha volta tornava isso algo inaceitável de se sentir nessa fase da vida. E essa interpretação só me desgastou mais, até que me assentei com esses sentimentos, não evaporam como água, ou estragam como carniça, é intrínseco, morbidamente grudado a minha realidade. E atualmente, cheguei a um estágio novo dessa vivência mental.
Passei a muitos momentos lendo a realidade como algo a se considerar, pois "muitos outros vivem algo pior do que eu", e isso me fez um grande fugitivo dos meus sentimentos, como se eu tivesse o direito de fugir pois não são grande coisa. No entanto, me chegou a conclusão de que a minha vida trata-se de meu filtro, sobre a realidade, sobre o que é bom e ruim, sobre o que me mata e o que me fortalece, e isso anula este argumento tão simplório quanto morrer.
Não me sinto bem, definitivamente, mas sei que é de grande conforto entender que a minha realidade realmente não é tão ruim, mesmo que eu faça dos pequenos problemas, grandes noites. Isto é um relatório, um lembrete e uma atualização para eu mesmo, sobre o que me cerca e o que me mata. Não me encontro em paz, mas me encontro mais próximo dela... E isso conta, eu acho...
M.
Luzes da Cidade, Marcelo Camelo


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