Sinceramente, não sei.

A dor ela é em muitos momentos, bem previsível, idiota e constante demais para se surpreender, no entanto tudo aquilo que se sente com frequência o suficiente para se virar rotina, vai correr o risco de eventualmente escorrer dos trilhos e das bordas. Você vai acordar pior em algum momento, agonizando em sua cama metaforicamente ou de modo literal, sempre haverá os piores dias assim como os melhores, os mais leves e calmos (esses que não vale a pena serem pontuados pois se é muito mais vantajoso viver tais momentos do que os dedica-lo um texto qualquer, não se melhora a situação então não vejo sentindo). E a liberdade espiritual de dias mais calmos e leves é quase inabalável (por pormenores, claro), você é você e que se foda, come, trabalhe, estude e viva a porra da tua vida que eu vivo a minha, eu estou em paz e só eu sentirei tal sentimento, então ninguém, absolutamente ninguém irá estragar ele. São ótimos dias apesar de minha atual situação não se passar em um como esse exatamente, ainda há aquele oceano fumegante e com alta pressão em meu peito, as ondas enormes e barulhentas, é aterrorizante e sinto-me com 6 anos novamente, onde você era pego em momentos onde um simples trovão o desestabiliza, e você sentia puro medo, pois você era virgem de vida então tudo bem. Eu grito por misericórdia em meus piores dias e isso me dói, porque o meu eu de 6 anos não queria ter dias piores. Ele chegaria da escola e iria torcer para não haver uma briga familiar no quarto da sua mãe amada, ou que seus irmãos mais velhos não briguem... Ele não iria querer sentir trovões barulhentos todos os dias, a todo momento e ninguém os ouvi-los, e ninguém pode te ajudar a derrotar algo que ela não vê, escuta ou vive.

Me encontro sozinho a muito tempo como meus bons companheiros sabem; vocês também, por escolha mas principalmente por realidade, não há controle sobre este fato em minha atual fase. Não sei do que preciso e de como preciso, em forma de carinho, atenção, amor, compaixão ou até mesmo crueldade o suficiente para se colocar um ponto final, isso se encontra na possível lista também. Há um refeitório de amarguras internamente, isto é um fato, elas irão rodar dentro de você por toda sua eternidade, e eu por muitas vezes consigo controlar essas amarguras, no entanto em momentos frágeis, não há alfinete que não o faça sangrar até a morte. 

Há meses que eu preciso chorar, mas chorar mesmo, horas e horas de descarga emocional que não tenho a anos, ter isso periodicamente não é o suficiente, nunca será para mim em rumo a fé. Mas até mesmo o choro se tornou algo difícil de se alcançar em minha vida, e não ser capaz de chorar me frustra mais do que me entristece. Tenho minha grande responsabilidade aqui, claro, ela sempre é considerada em cada palavra destes tormentos públicos que vos digo, mas vocês não sente porra nenhuma disso aqui, então não vai se cobrar uma racionalidade disso, eu estou sofrendo, e mesmo um carteiro, uma estudante, um presidente, um taxista, sonegadores de imposto, analfabetos funcionais, ignorantes, racistas e nazistas, todos terão em comum o famigerado sofrimento, e com isso aparece também outra semelhança entre todos, que é a falta de alguém verdadeiro para lhe segurar. Quando se cai de verdade, ninguém te segura, pois a pior das caídas ocorre quando você se deixa cair e ainda mais, se joga, então você não aceita sequer uma mão. Estou fora de mim, e isso automaticamente me torna fora de si para todos os meus atuais relacionamentos. Eu já te decepcionei, provavelmente ainda irei, ou isso aqui mesmo te represente uma decepção por sua parte sobre mim, mas o que devo dizer? Eu não confio mais em mim, e isso não me isenta de responsabilidades, mas racionaliza a falta de amor geral, pois nem o amor próprio existe mais. Eu morri senhores, e ninguém aqui será capaz de me conhecer atualmente, eu sinto muito, mas acho que alguma das guerras a gente acaba perdendo, e na minha vez, eu perdi na guerra do controle, saúde emocional, auto apoio psicológico. Eu quebrei ou deixei quebrar um pilar fundamental, e eu não sei o que fazer além de seguir com a vida, e talvez seja isso que me resta. No entanto, como consequência, eu provavelmente te perdi, vou te perder ou vou te machucar, pois já me machuquei o suficiente para isso ficar só entre eu comigo mesmo, e eu peço perdão adiantado por isso.

Mas a porta está ali, saia quando lhe for conveniente, a cima de tudo eu sou incapaz de parar, eu vou continuar, eu acordo amanhã novamente, sorrio em alguns momentos e ocasiões, mas fazer o quê? É apenas a minha morte, ela não pediu a minha opinião, e você não pode parar ela quando nem mesmo eu posso e ainda mais, não quero para-la. Caso seja necessário, saia, pode sair que acredito que a dor de ver alguém afundar de vez é mais suave quando se tem consciência de sua falta de ajuda naquilo, então se for necessário para você saia, por favor, isso não é sua responsabilidade, se você está na lista dos meus amados você é uma pessoa incondicionalmente esplêndida em muitos aspectos, então viva o melhor que puder a sua vida. 

Inegavelmente culpado por muitas dores, mas indiscutivelmente ainda sim, sofrendo... E muito. Não tenha piedade, apenas a pura e crua consciência de que sinto o que sinto, e que sou quem sou, sem tirar nem por. Me odeie ou me ame, me odiando eu te desprezo e me amando eu te admiro, pois sou não atraente o suficiente para te amar por me amar nesse estado.




𝑴𝒖𝒓𝒊𝒍𝒐.






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