—Ela se foi... "Quem?" —A Vontade.

Digníssimo sejam aqueles dias onde a amizade da solidão se encontra cara a cara, com o lado mais puro das memórias, sentir-se sozinho enquanto se é dominado pela nostalgia torna-se até mesmo prazeroso. Lembro-me dos dias passados onde a angústia e o doloroso vazio interno eram mais fracos, ou ocultados e aliviados pelo sentimento de amor, tolice minha dizer que sendo jovem o amor nos salva de muito no entanto também nos destrói, pois ainda sou jovem, e acredito que o amor sempre será a maior surpresa de uma vida cansada. Certo dia lá está você, vivendo sua medíocre vida e em frações circunstanciais, e uma nova música é reproduzida, e você se apaixona. Um passar de dedos em uma estante na biblioteca, e você se apaixona por um novo livro. Aqui não haveria pessoas, esse amor perdeu o brilho para mim, não haverá uma nova paixão tão verdadeira quanto aquela vivida em seu maior desespero. Hoje eu seria incapaz de fazer qualquer alma feliz, inclusive a minha. Infelizmente, fiz o mesmo com minha alma que meus amados fizeram comigo, a libertei para viver, mas a libertei demais, e hoje ela reconhece a mediocridade da vida, e sua maior nota de liberdade se reflete em uma garrafa de vinho e em uma lágrima caída com muito esforço, enquanto se encontra sozinha e no escuro, literal e o da mente... Senti a ponta dos meus pés pela última vez a algum tempo, e não é que eu não seja mais capaz de sentir, é que para mim já não faz mais diferença. Se tornou pior relutar, seria assim então, pertinente simplesmente sentar ao pé do caos, ao som da sinfonia dos prédios caindo, e a minha vida, em minha mente? Como sempre vos digo, "não venho aqui em busca de respostas", aqui se trata unicamente de sentir, e sentir até o último pingo de vida que restar no meu coração, pois em minha alma nada me resta no momento. As vezes querendo ou não, caso procuremos encontramos algo nela, mas nem por isso quero se quer procurar algo. Estou exausto, e em curta caminhada, nem mesmo isso (escrever; sentir) será capaz de me propor o contrário de assim se findar com a espera de algo que um dia terá de acontecer. Eu hesito em me encontrar com ela, não a temo, não é nada disso, mas uma coisa é você se encontrar na mira da arma da morte, em seu mais profundo escuro e solitário espaço na vida. Agora, estar sentado, na linha de fogo entre morte e vida, e ao se olhar para os lados, os olhos quentes de sua mãe lhe fitando, de seu irmão querido, de sua amiga querida e de seu querido amigo... Eu temo a confusão; a surpresa das pessoas que amo, ou até mesmo a culpa de alguns, por saberem de como me sinto, mas serem incapazes de mudarem o trágico destino do amigo tristonho. Nunca fui capaz de temer a morte por mim, eu morreria para mim tão facilmente quanto já estou para eu mesmo, mas matar a pessoa que foi capaz de demonstrar amor, e recebê-lo em troca, exige uma coragem que beira a covardia. Pois então serei capaz ao menos de deixar a vida me levar aos poucos, assim a preparação de meus amados tenham muito mais tempo para se concluir... 

 𝑴𝒖𝒓𝒊𝒍𝒐



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