Do Um Nocivo Inofensivo— O Persevero Dos Fardos:

 A vida não poderia ser pior, até que você compreende o quanto você é um problema. E um daqueles grandes, onde apenas o fato de um problema como você existir, te desgasta, te corroe por dentro e te transforma em uma arma contra si mesmo. Onde qualquer passo e ação é um golpe, incontrolável. Você se manipula a acreditar que irá ser diferente, que você não será um problema, e você toma mais um golpe. É mórbido, é cansativo, é real.

Você se mata por ser você mesmo, e em pouco tempo, é como se uma versão boa de você nunca tivesse existindo. São apenas problemas, incompletude, incapacidades e imponência. Você se molesta psicologicamente ao ponto de vomitar tudo o que você gostaria de dizer a si mesmo e dá descarga, porque sabe que tanto faz. Você sempre será o pedaço de tormento que te cerca. E nunca haverá uma saída. As vezes estará amanhecendo e seu corpo vai estar em chamas, te avisando que algo está errado. Mas você sabe que está, ele é o problema. 

Amanhã ou depois o cansaço pode ser dominante ou simplesmente sumir, mas indiferentemente de tudo isso, ao fim eu ainda vou ser a minha única companhia, a minha única companhia, é a pior pessoa que eu já conheci, ela me tortura todo dia a todo momento. São sequências de crueldades que com o tempo, eu compreendi fazerem parte de mim e pior, que complementam quem sou, não aceito, mas compreendo. 


Eu sempre fui capaz de me frustrar muito pouco com tudo, no entanto, todas as vezes que eu dei um passo, de alguma forma eu sou capaz de me ajoelhar e fazer tudo o que for preciso para fazer daquele passo o meu último. Eu sei que eu sou um problema, e talvez seja isso que faça com que meus dias sejam quase que literalmente uma luta contra mim mesmo. É cruel, doloroso, desgastante... Mas é real. 

Agora são 07:23 da manhã, a alguns minutos meus olhos se abriram sem não muito esforço. Após uma sequência de pesadelos imfervecentes, me sinto desfocado, quase como se eu fosse capaz de me olhar em algo reflexivo e visse apenas uma silhueta, quase como se eu não tivesse uma forma real. Sou lúcido, um pesadelo real... Meu pesadelo.


Assinado: M.




                             Nicolas Martin 











                 O Bem Do Mar Por Gal Costa.

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