As Vontades Deviam Ser Óbvias? Você As Reconhece?

Distribui duas xícaras, dois pires, dois guardanapos de pano, um bule de café e uma bela sesta de pães. Estava lindo, organizado e principalmente, do nosso jeitinho. A esperei em meu lugar, não toquei em uma coisa sequer, na esperança que sempre tive, ela entrar e sentar-se comigo, como nunca fez. Eu a via todos os dias, as vezes de preto, as vezes colorida e explicita. As vezes simplesmente não a via, como ontem, semana passada... Mês passado.
O relógio se encontrava em sua primeira volta do dia, e nenhum sinal dela, meus olhos fitavam as flores estampadas na xícara com detalhes dourados, derramei um pouco de café na xícara e bebi de uma vez só. Achei que o amargo me assustaria, me faria despertar, mas não aconteceu nada. O amargo já estava lá, sempre esteve, todos os dias eu a esperava, por quê? Eu a desconsidero dia a pós dia, a qualquer hora, menos de manhã, eu a queria sentada ali comigo apreciando a melhor refeição do dia, e conversar sobre o que importa: as verdades, e o que é proporcionado por elas. Todos os dias eu me cansava mas não desistia, era culpa minha, eu a desviei da satisfação e completude, e hoje eu a espero com as entranhas a ponto de arder e queimarem dentro de mim. Como de costume, o alarme soou antes do meio-dia, dez minutos antes, exatamente. Assim guardei tudo, limpei e sentei-me novamente, esperando o despertar; a realidade; angústias, e como um estalo lá estava: curvo; olhos baixos; bolsa nas costas e mão na maçaneta. Me encontrava, finalmente em casa mas não se sentia em casa; não me sentia se quer vivo, era como uma fumaça que era levada pelas correntes de ar, e a briga e procura interior perdurará: onde está a vontade? Por que ela nunca aparece? Nem mesmo para uma conversa? Nem mesmo para me ouvir... Nem mesmo para um café. Somos dependentes das vontades? Nós somos vontades? Somos dependentes ou reféns? Não são a mesma coisa? Mas caso eu a veja pela manhã, irei me precaver, talvez amanhã ela apareça, ou semana que vem... Mês que vem.



M. S




                               Noah Verrier




                   Illuminine—Dear Dolores

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