Simples Assim Uma Vida, ou o Que Restou de Uma
Meus novos dias atravessam como todos, dia pós dia parece apenas um replay. Minha mente sofre pela a ausência de literalmente qualquer ocupação de meu tempo, minhas mãos tremem ao levar a terceira e última colher de café ao filtro como todos os outros dia de manhã.
Meu quarto é de tudo menos um quarto aconchegante para dormir, já não abro a janela à semanas, dominante o ar abafado e deprimente, as paredes com coisas que só eu vejo, pois são nelas que meu olhar crava toda noite pensando naqueles problemas. Está escrito nelas, eu as vejo.
Segunda-feira se aproxima e eu não tenho ideia de qual é o dia e nem por isso levanto. Levanto pois minha mente parada se transforma em uma tediosa e dolorosa aula de auto decepção. As vezes almejo um ombro, uma mão e uma boca com quem eu possa contar, mesmo que por algumas horas.
Cabelos suados e o calor humano em um quarto escuro podem ser bem vindos como complemento, não como cura pois sempre sobrevoarei essa mesma vida. Essa mesma mente e os mesmos pensamentos. Estou doente de cansaço e a vontade de lutar contra cai a cada dia. Não almejo sonhos, não corro para direções objetivas mesmo que eu nunca tenha parado de correr. Mas isso se acaba nisso, corro para o vazio. O nada...
Corro para lugares vazios para que eu possa me debruçar e sentir a brisa do calmo, o sabor da leveza e a depressão que é a consciência da solidão. Soube em minha primeira solidão que a vida não seria fácil, e eu de certa forma estava errado, pois é quase insuportável.
Hoje me resta uma boa música, noites escuras e o coliseu de meus pensamentos para que meu dia vire um looping e um sorriso amarelo e amargo daquele bêbado no bar.
Amanhã não será como hoje, pois o hoje foi como ontem, e o ontem nunca acabou, e a sombra de meu passado cobre a luz do futuro que vem pela frente, e não tenho simplesmente nenhuma ânsia por me cegar com essa luz.
Eu sou apenas uma alma de fundo, e irei permanecer assim até que a vida se torne mais solúvel em meus padrões medíocres do que é sobriedade, e até lá, a solidão é minha corda mais longa para descer este penhasco, viverei torcendo para que um dia essa corda continue sendo importante para que eu a não solte em meio a decida.
— Murilo, Soares™

Texto muito bem redigido e escrito em um bloco constante, associo isso ao caos que é a monotonia de uma cabeça barulhenta associada a uma boca que pouco fala e a olhos que veem mais do que deveriam.
ResponderExcluirO final em especial me tocou muito, e me fez refletir bastante.
Desejo que haja sempre uma vela acesa no fundo do seu poço, que te possibilite ter esperança o suficiente em um amanhã "menos pior", a luz da vela também te permite enxergar as cordas que são jogadas para que eventualmente você suba e saia do poço por uns instantes.
Com carinho e complacência; inconstante.
Precisamente, meu caro. Torcer para que sejam aromáticas pelo menos.
ExcluirAceito sua condescendência.