Olhe! Você é Só Mais Um
Ando pensando muito em como se distingue gostar de alguém, e gostar de estar gostando de alguém, como uma afeição a situação de afeto, não ao afeto em si. Como uma forma de satisfazer o desgosto que você sente pelos outros, talvez gostar da companhia de alguém te faça feliz, mas a pessoa nem tanto.
Eu me pergunto se as pessoas sabem diferenciar isso, sentir o que realmente sentem, da forma mais natural e pura que elas podem conseguir. Você sabe quando passa a amar alguém e não o que ela te proporciona? Sabe quando deixa de se satisfazer com o resultado, e não com a fonte?
Posso imaginar que as chances de você ter pensado que não são relativamente altas. Já falei disto por aqui, sobre o amor. Nosso amor por alguém é bem simples de se entender.
A maior parte do que você sente é o resultado das atitudes e do que define quem você ama, ações, escolhas, ideias e opiniões, o jeito de pensar ou o jeito de se expressar. O jeito que ela te enfraquece ou te fortalece, e até o quanto ela te faz gostar de ser enfraquecida ou fortalecida por esta pessoa. Tudo isso é baseado no seu prazer, na sua satisfação. As atitudes, opiniões, qualidades e defeitos da pessoa de quem você tanto diz amar, te agradam? O conjunto de ideais que formam um ser humano como você, fazem a sua chama acender? E se sim, ela acende a chama, qual das chamas ela acende? A do fim daquela conversa profunda no fim da noite, da liberdade de falar de todos os segredos que vocês escondem, de se sentir amado por alguém que não é entediante? Ou a de ter encontrado alguém fascinante que você pode conhecer mais a fundo, de te fazer bem ao ser uma boa companhia para ela, ou de simplesmente ser um ombro agradável na hora do choro e na hora do orgasmo? Se sua resposta for a primeira chama, ótimo, 75% do seu amor por aquela pessoa já foi explicado. Essa vertente do egoísmo não é ruim, ela move não só você e a pessoa que você ama e também te ama, ela move a relação. O prazer que cada um causa ao outro, cria algo muito mais fundamental, a paixão. Um vício poderoso, atraente e iluminado. A paixão existe para guiar o amor de duas almas, ela é a luz para o prazer obscuro destas duas almas que se satisfazem uma com a outra. A paixão, coloca esses prazeres para conversar, criando algo ainda maior, a relação.
Agora, se tudo aquilo que forma a pessoa que você diz amar, também te agrada de modo significativo, ótimo, aí aparecem os outros 20% do seu amor.
E como resultado óbvio, existem 5% no ar, dependendo de um conjunto grande de coisas. Uma delas é justamente o pavio dos 75% deste amor, o resultado. O futuro, os acontecimentos e as recompensas que essa relação gerou.
Tudo isso que adoramos na vida, o flerte transcendente entre duas pessoas, o olhar flamejante que diz nossos desejos mais sinceros e prazerosos com aquele ser. Todo esse mundo tão poderoso, vem justamente de um dos maiores e mais importantes galhos da árvore da vida e da sobrevivência. O egoísmo, e está tudo bem, pois todos somos e seremos assim.
Bem vindo(a) a humanidade, um lugar onde seus próprios moradores não a aceitam, mas adoram viver nela, pois nós... nós mesmos apontamos essa arma que tanto falamos estar na nossa cabeça. As nossas origens nos cruza, e nós criamos o nó que juramos destruir.
O egoísmo.
— Murilo.

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