Névoa da sobriedade
— Existem momentos que nos fazem pensar durante bastante tempo, refletindo nossas escolhas e ideias. Um deles é o fim de ano, dezembro é colorido e ao mesmo tempo cinzento, como uma música boa e também alguém passando um giz em um quadro negro. O mundo inteiro criando expectativas e objetivos irreais para o ano seguinte, mas ao mesmo tempo a espera para passar bons dias com a família.
Minha mente nunca tira uma folga, problemas atrás de problemas e dor com mais dor, o sentimento de vazio permanece como uma marca de nascença, do momento que minha consciência veio ao mundo, a solidão apareceu. A convivência com outras vozes me cansa, não sou de divir minha paz é algo muito valioso e escasso, dependo dela para levantar da cama e olhar para a sua cara. O prazer em se servir de uma bebida quente pela manhã de inverno é incomparável, e em fim de ano não seria diferente, a festança da cidade não é motivo para minha paz ser sacrificada de tal maneira. Subindo e tecendo a teia da melancolia por anos, seria necessário algo muito grande para me sacudir.
Com ou sem uma companhia, sempre estarei ao lado de algo vivo e excitante, uma mente sofredora ou o corpo dela colado no meu. Vivo uma vida de tanto fez tanto faz, dependo de pouco e sempre quero pouco. Em busca de muito se perde bastante, e de uma alma sem graça não dá para se arrancar muito... Afinal, muito é ter tão pouco.
Nos loucos sempre temos razão.
— M.S

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