As Vezes é Permitido se Deixar Levar Pelo Vício
Reflito fortemente na ideia de que estar em paz, é a maior conquista para um ser consciente. Concordo de fato e contemplo a distância que estou da paz.Toda maldita manhã é um novo começo para um sequestro e uma tortura que minha mente faz com si mesmo, amarrando os pulsos com ódio acumulado, tapando a boca com inseguranças e uma maldita venda que me sega pelo cansaço. Lidar com uma mente como esta é semelhante a uma criança, instantes sozinha e silenciosa o caos pode se instalar como as chamas de um esqueiro em um bar. E conviver com uma mente dessas diariamente, o proporciona uma perspectiva de como fraquezas e traumas podem te matar mais rápido que uma bala na traqueia, o gosto amargo de se olhar no espelho e imaginar uma corda a dois palmos da sua cabeça. Se alimentar de vícios camufla bastante essa inconveniência, racionalmente entendo os alcolatras, viver uma vida refém de seus pensamentos exige um drink e 3 cigarros naquela longa noite de sexta-feira, sem quaisquer vícios eu já teria cortado a minha maldita garganta.
E eu gostaria de lhes apresentar mais uma escrita de uma pessoa anônima que gosto muito.
"Enquanto o meu peito se estendia de forma acelerada, os sons eram abafados pelo som da madeira a bater. Amarrada e sem poder escapar, o suor escorria sem piedade. Todo o meu corpo estava cansado de combater aquela droga que tinha sido injetada. A minha visão parecia falhar violentamente devido à droga e às lágrimas, impedindo-me de ver a sua verdadeira natureza. A minha boca estava tapada, impedindo-me de pedir ajuda. Os seus berros, fundindiam-se com todos os meus pensamentos. Os meus pulsos pressionavam a corda com força. Eu podia sentir a droga consumir cada célula do meu corpo, deixando-me desorientada. Senti o meu corpo falhar sem misericórdia. Sem poder evitar, desmaiei ali mesmo. Fui transportada para outro universo, onde o meu lado sombrio parecia ter acordado, onde a raiva e o ódio estavam instalados, como se estivesse disponível para odiar todos os que se atravessassem no meu caminho. Como se fosse uma constante batalha entre ser má e vingar-me de toda a gente e ser doce e paciente com todos. Sempre que deixava levar-me pela droga, a maneira como a vingança e o ódio me manipulavam deixava-me extremamente viciada."
E lá vemos o vício novamente, o inimigo da inquietação. Desprender-se de si mesmo pode parecer impossível, mas se uma generosa xícara de café ou alguns tragos em um cigarro nos mantém minimamente distantes disso tudo, o impossível não se parece nada com o que dizem.
—Murilo.

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