Neste Caso o Mal Está em Toda Parte, Não nos Detalhes
Escritas que saem de minhas mãos, são provavelmente, as palavras mais sinceras e bem colocadas que posso dar a alguém, sejam elas boas ou ruins, em um papel ou em um blog virtual. Escrever é mais que se expressar de outra maneira, é um ritual, desde pegar sua folha e sua caneta, á abrir o navegador para escrever meia dúzia de palavras que podem fazer sentido só para você. Ou olhar seu trabalho feito e assinar no fim da folha ou no envelope Á dias venho escrevendo para alguém que se quer existe, contando meus segredos mais profundos, como Charlie e suas cartas solitárias e sinceras para seu amigo misterioso. Toda vez que abro meus olhos diante daquela luz inconveniente vindo da minha janela, que a ociosidade me acompanha desde meu primeiro suspiro consciente do dia, sinto-me refém de algum modo de expressar tudo que me dói e me encomoda, e lá, junto de meus poucos livros físicos, está meu caderno de poucas folhas usado para as cartas de meu amigo que nem se quer existe, eu o folho antes mesmo da primeira refeição do dia, me asseguro de que a última carta já havia sido envelopada e lacrada, e devidamente guardada. Mais tarde no mesmo dia, sozinho como de costume, despejo alguns sentimentos naquela folha de 16 linhas, não são muitas, afinal minhas dores não são muitas, apenas se repetem. As deposito no envelope que eu mesmo fiz, com 5 minutos de meu dia e alguns deslizes de cola bastão barata...
—E agora? Devo escrever de novo? Mas não aconteceu nada desde a última carta, do que devo falar com ele? Eu devo falar com ele?
O mesmo momento confuso e revoltante do meu dia a semanas, que se acaba do mesmo jeito toda vez, comigo saindo para caminhar e ler meu novo livro, neste caso, A Garota No Trem. Um livro vindo diretamente das observações de minha mente, uma garota semi invisível que todos os dias, em seu caminho de trem à Londres, observa as mesmas vidas como muitos não observam, imaginando como seria estar longr de tudo que a incomoda diariamente, estando feliz ou apenas em outra vida.
E derrepente já são 18 da tarde e devo voltar para a casa e lavar a louça, deitar-me às 23 da noite como se o dia de amanhã não importasse mais. Estes momentos sendo uma de minhas faces, uma face cansada e perturbada por si mesmo. Sabiamente dito certa vez,
“Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo.”
-
Clarice Lispector
—Murilo.

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